Nevado Huascarán - Rumos: Roteiros para sua próxima aventura!
Nevado Huascarán
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Trekking moderado
Montanhismo difícil

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Nevado Huascarán

Altitude Máxima: 6746 metros.

Altitude Mínima: 3050m (Musho)

Temporada ideal: Junho a Agosto

Outros locais do roteiro:

  • Huascarán Norte
  • Huascarán Sul
  • Forma da obtenção dos dados:

    Trilhas georeferenciadas por Maximo Kausch em Fevereiro de 2009. Pontos cedidos por Steve Petersen

    Mais informações sobre este roteiro:



    O Huascaran Sul está localizado no Peru, em Ancash, na Cordillera Blanca e possui 6768 metros de altitude.

    Junto com o Chopicalqui, o Huascaran Sul e Norte formam o maçico Huascaran. O Huascaran Sul é a mais alta montanha na Cordillera Blanca, bem como está localizado integralmente no Peru e consequentemente um tanto popular. O cume sul é 113 metros mais alto (muito menos frequentado) que o norte.

    A primeira ascensão ao H. Sul ocorreu em 1932 por uma expedição formada por austríacos e alemães, enquanto que o H. Norte foi escalado antes, em 1908 por Annie Peck, uma professora americana.

    A rota normal para o H. Sul (via Garganta e face Noroeste) é classificada PD*. O crux da rota é a escalada da Garganta icefall do acampamento 2 à 5900m. A face Oeste (D+)* pode ser alcançada a partir da Garganta também. Além disso existem em maior quantidade de rotas muito difíceis (TD, ED)* nas faces Noroeste e Leste do Huascaran Sul.

    Um pouco de história: O desastre de 1970

    Às 3:30 da manhã de 31 de maio de 1970 um terremoto atingiu a região da Cordillera Blanca. Foi um dos piores desastres naturais na história da América do Sul, matando mais de 60.000 pessoas e deixando mais um milhão desabrigadas.

    A mais estrondosa catástrofe foi o enterro da cidade inteira de Yungay sob um deslizamento por causa de uma maciça rocha que se desprendeu da face Leste do Huascaran Norte. Cerca de 18000 habitantes morreram - somente poucos sobreviveram, os que correram para o cemitério localizado na colina acima da cidade. O cemitério e quatro árvores em Plaza de Armas são as únicas lembranças da cidade.

    Quando você visitar a velha Yungay provavelmente encontre um dos sobreviventes contando sua história para os turistas. Hoje a nova Yungay teve sua construção não muito longe.

    O volume total do soterramento foi calculado entre 50 e 100 milhões de metros cúbicos, cobrindo mais de 22 kilômetros quadrados com a profundidade de 80m.

    Como ir
    :

    Apartir de Lima, pegar um ônibus até Huaraz (U$15, 7 e 9h, durante a noite é possível também), a capital e centro de montanhismo do vale Santa.

    Em Huaraz, pegar um coletivo (taxi) até Musho (3050m) onde você consegue facilmente contratar "arrieros" (condutores de mulas, U$ 10 / dia) e mulas (U$ 5 / dia) para alcançar o acampamento base no mesmo dia.

    Você pode conseguir também contratar uma das muitas dispendiosas expedições guiadas em Huaraz a U$ 60 / dia que incluem guia + mulas + arrieros + transporte.

    Acampamentos:

    Acampamento Base: a 4200m seguindo o caminho de mulas a partir de Musho (5h). Água disponível.
    Acampamento Morainas: a 4800m no sopé do glaciar (3h). Água disponível.
    Acampamento 1: a 5300m no glaciar (3h).
    Acampamento 2: a 5900m próximo à Garganta icefall (6h). O antigo local teve que ser transferido para Noroeste devido ao icefall. (veja também "Riscos")

    Rotas:


    Rota Normal:


    Partindo do acampamento base seguir e alcançar a língua do glaciar Leste do cume Sul a cerca de 4800m.

    Subir o glaciar em direção do lado Sul da grande cascata de gelo (acampamento 1 a 5300m).

    Procurar a rota cavada através da cascata de gelo (icefall) e em seguida seguir transversal na direção Norte para alcançar o acampamento Garganta.

    Saindo da Garganta escalar uma encosta de 40º (face Noroeste) fazendo a travessia de inúmeras fendas (crevasses).

    Alcança-se o cume sobre algumas encostas fáceis de subir.

    Nova Rota:

    Dados atualizados até final da temporada 2005-2006.

    Nota de importância - O Huascarán, a montanha tropical mais alta do planeta, tem sido sempre denominada uma montanha "fácil" de subir por sua rota normal. Muitos dos alpinistas que subiram ali há muitos anos atrás seguem dando a mesma afirmação. Porém agora, com as mudanças tão radicais em todo o mundo, principalmente com respeito aos glaciares, esta situação tem mudado consideravelmente. Na temporada de 2005, o ingresso ao glaciar supunha uma ascensão por um gelo muito duro e atravessando muitas pontes instavéis e gretas gigantescas, além de que a canaleta segue dando os maiores problemas pela quantidade de avalanches que caem sobretudo durante as tardes.

    Quase todos os grupos que tentaram o cume sul e norte pela rota da garganta ou rota normal, se viram impedidos de atravessar a zona entre o campo 1 e campo 2, pois eram demasiados os perigos objetivos e riscos de quedas em gretas gigantescas que se abriram durante toda a temporada.

    A desglaciação, contaminação ambiental, o aquecimento global e todos os efeitos contaminantes desta época já tem causado danos irreparáveis nesta montanha e por sequência em outras menores que já estão desaparecendo por completo.

    Os poucos grupos que chegaram ao cume norte arriscaram passando muito rápido e com guias experientes, os que tiveram como objetivo o cume sul, fizeram a que parece que será a nova rota ao Huascarán sul. A via do "escudo", uma parede de gelo vertical com inclinações de 55-60 graus em gelo técnico e exposto. Parece que este será o novo acesso para as temporadas seguintes.

    Subir esta rota implica uma apurada técnica em escalada em gelo e por uma correta aclimatação, já que o terreno se encontra a seis mil metros e o esforço que é demandado para superar uma parede de gelo a esta altitude é tremendo.

    O equipamento técnico deve ser escolhido muito cuidadosamente, 2 piolets técnicos, capacetes, cordas de 60 metros , jogos completos de parafusos para gelo e estacas para abandonar durante a descida, já que se regressa pelo mesmo lugar. O capacete é indispensável, assim como a roupa de abrigo sobretudo para as paradas e um bom calçado de montanha com os crampons bem afiados.

    Quanto ao itinerário, se antes, se fazia um acampamento 2 a quase seis mil metros, agora se está optando por atacar desde o mesmo campo 1, a 5300 metros . Isto implica um desnível de 1468 metros em um só dia. Logicamente em uma parede de gelo vertical se ganha altura mais rápido que caminhando, por isso que as cordadas devem ser de 2 pessoas a fim de avançar com maior rapidez.

    A descida é mediante rapéis, por isto tem que dominar bem a técnica de Abalacov e por em prática por qualquer eventualidade.

    Certamente o más difícil será superar a rimaya de acesso. Um encordamento correto evitará acidentes.

    Ao total são 5 dias se os alpinistas estão corretamente aclimatados.
     
    Em Huaraz existem guias de montanha qualificados para esta rota. São certificados pela UIAGM e capacitados na casa de guias de Huaraz.

    Também tem que ter muito cuidado com alguns inescrupulosos que se fazem passar por guias de montanha e oferecem a rota ao Huascarán sul pela "garganta". Tenha a certeza que eles cobrarão muito barato em comparação a um guia profissional e por isto, sem qualquer pretexto, lhes farão voltar do o acampamento 1.

    Ainda não há um regulamento ou lei específica, por isso ocorre muito este tipo de trapaça.
    Só é questão de verificar na casa de guias de Huaraz com quem se vai a montanha.

    Esta montanha será sempre objetivo primordial de quase todas as expedições que vão ao Peru, por isso deve-se estar bem informado a respeito, devemos deixar de qualificar esta ascensão como "fácil" e recomendar a quem tentar a escalada que tome todas as precauções e assim fará de sua viagem mais agradável e segura.

    Outras informações:

    Existe uma única taxa de acesso ao Parque Nacional Huascaran, que deve ser adquirida com antecedência.

    Acampamento é gratuito e permitido em qualquer local acima da moraina.

    Riscos:

    Icefall (cascata de gelo): o acesso para a Garganta é altamente perigoso por causa do imprevisível icefall. Ele parece Ter aumentado nos últimos cinco anos. O local clássico do acampamento 2 na Garganta foi alvo do icefall em 1997 e 1999 com muitas vítimas.
    Avalanches: tempestades e neve formam avalanches no início da temporada e nevadas intensas durante a temporada também. Uma avalanche a 6400m matou quatro alpinistas em 5 de junho de 2002.

    Crevasses (fendas): a rota para a Garganta e acima dela é frequentemente alterada devido às crevasses e seracs. Especialmente à noite pode ser um problema para transpor ela.

    Fortes ventos e baixas temperaturas: acima da Garganta você deverá estar preparado para fortes tempestades até mesmo quando os condicões climáticas gerais são boas. À noite é comum as temperaturas cairem abaixo de -25º.

    Nuvens: finalmente as nuvens formam-se ao redor do Huascaran frequentemente pela manhã não elevando-se acima do cume e não permitem visibilidade em conjunto com a neve.

    Livros e mapas:

    Melhor mapa: Alpenvereinskarte 0/3a (Cordillera Blanca Nord) 1:100000, UTM (GPS)-grid; editedo pelo Clube Alpino Austríaco.

    Livros: Climbs of the Cordillera Blanca of Peru by David M. Sharman (1995) The High Andes by John Biggar (1996)

    Veja esse roteiro no Google Earth:

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